top of page

Quando o acolhimento faz nascer uma nova história: bem-vindo, pequeno Noah!

“O que a vida quer da gente é coragem.”— João Guimarães Rosa

Há menos de dois meses, uma família marroquina chegou até nós carregando muito mais do que malas. Carregava medos, incertezas, saudades e uma pergunta que parecia acompanhar cada passo: “Como vai ser daqui para frente?”

Em um país novo, cercados por uma língua ainda desconhecida, longe da família e de tudo aquilo que um dia significou casa, havia também uma vida prestes a chegar.

O pequeno Noah já estava a caminho.

E foi então que muitas mãos começaram a se unir.

Na Paróquia Nossa Senhora das Graças, o acolhimento deixou de ser apenas uma palavra e se transformou em gesto concreto. Catequistas e membros da comunidade doaram mantimentos, roupas, itens para o bebê e ajudaram na preparação do chá de bebê. Cada doação parecia dizer silenciosamente àquela família: “Vocês não estão sozinhos.”

Até que chegou o momento do parto.

A mamãe de Noah não fala português. Em um momento tão delicado, cercada por profissionais que falavam uma língua que ela ainda não conseguia compreender, era fundamental que pudesse se sentir segura, acolhida e acompanhada.

E Joyce, voluntária da Pastoral da Mobilidade Humana, esteve ali.

Foram quase dois dias de espera, ansiedade, cuidado e presença. Horas em que, muitas vezes, não eram necessárias grandes palavras. Bastava estar perto. Segurar a mão. Ajudar a compreender. Transmitir segurança quando o medo aparecia.

Até que veio a notícia: seria necessário realizar uma cesariana.

E então, finalmente, Noah nasceu.

Nasceu brasileiro. Nasceu caiçarinha. Nasceu filho de marroquinos que, há poucas semanas, ainda se perguntavam como seria possível recomeçar tão longe de casa.

E aquele nascimento ainda guardaria outro encontro emocionante.

O médico responsável pelo parto, de descendência libanesa, ao conhecer a história daquela família, também se comoveu. De alguma maneira, naquele centro cirúrgico, a história dos migrantes de ontem encontrou a história dos migrantes de hoje. As raízes atravessaram gerações, fronteiras e oceanos para recordar que todos nós carregamos histórias de partidas, chegadas e pertencimentos.

E Joyce estava ali, testemunhando tudo.

Não apenas o nascimento de uma criança, mas um daqueles momentos que explicam por que escolhemos servir.

Naquela maternidade, nasceu Noah. Mas também nasceu um novo capítulo na história de uma família que chegou ao Brasil tomada pela angústia e pela solidão e que, pouco a pouco, encontrou pessoas dispostas a caminhar ao seu lado.

São João Batista Scalabrini nos ensinou que “para o migrante, a pátria é a terra que lhe dá o pão.”

Nós queremos acrescentar: pátria também pode ser o lugar onde alguém segura a nossa mão quando estamos com medo.

Noah talvez cresça ouvindo histórias sobre o Marrocos. Conhecerá as raízes de seus pais, seus costumes, sua língua, seus sabores e suas memórias. Mas poderá também dizer que nasceu aqui, entre o mar e a mistura de tantos povos que formam nossa Baixada Santista.

Um pequeno marroquino-caiçara, que chegou ao mundo cercado de cuidado.

Que um dia, quando Noah ouvir a história de seu nascimento, saiba que antes mesmo de abrir os olhos para este mundo, muitas pessoas já haviam decidido acolhê-lo.

Porque migrar pode significar deixar muita coisa para trás.

Mas acolher significa dizer a quem chega:

a partir daqui, você não precisa caminhar sozinho.

Bem-vindo ao mundo, pequeno Noah. Que você cresça entre duas culturas, cercado de amor, e que sua história seja sempre uma ponte entre povos, línguas e corações.

Pastoral da Mobilidade Humana

Paróquia Nossa Senhora das Graças





 
 
 

Comentários


  • Ícone do Facebook Preto
  • Ícone do Instagram Preto
Contate-nos

Rua Padre Anchieta, 107 - Vila Alice (Vicente de Carvalho), Guarujá - CEP 11450-170

Conecte-se conosco

© 2024 por Pastoral da Mobilidade Humana. Com amor e dedicação aos migrantes e refugiados.

bottom of page