Crise no abastecimento de água agrava a vulnerabilidade de famílias migrantes e refugiadas no Guarujá
- Juliana Ramalho
- há 2 horas
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A crise no abastecimento de água que atinge o município de Guarujá revela, mais uma vez, como as populações em situação de maior vulnerabilidade são as primeiras e as mais afetadas. Após reunião entre a Prefeitura de Guarujá, a Sabesp e a Arsesp, foi criado um comitê de crise para gerenciar a distribuição de caminhões-pipa pelos próximos 30 a 40 dias, enquanto se aguarda a conclusão das obras da travessia subaquática.
Para as famílias migrantes e refugiadas acompanhadas pela Pastoral da Mobilidade Humana, o impacto vai muito além da falta de água nas torneiras. Muitas vivem em moradias precárias, com crianças pequenas, idosos e gestantes, sem condições de armazenar água de forma segura ou adquirir alternativas para enfrentar esse período.
A ausência de abastecimento compromete diretamente a higiene, a alimentação, a saúde e a dignidade dessas famílias. Além disso, diversos alunos têm deixado de participar das aulas gratuitas de Língua Portuguesa promovidas pela Pastoral, uma vez que precisam permanecer em casa aguardando caminhões-pipa, buscando água em outros bairros ou lidando com as dificuldades provocadas pela falta desse serviço essencial. As crianças também são fortemente impactadas, tanto em sua rotina escolar quanto em suas condições básicas de bem-estar.
É importante recordar que grande parte dos migrantes e refugiados atendidos pela Pastoral sobrevive com renda muito limitada, em empregos informais ou temporários. Para essas famílias, uma crise como esta representa mais um obstáculo no processo de integração e reconstrução de suas vidas no Brasil.
A água é um direito humano fundamental. Situações prolongadas de desabastecimento evidenciam a necessidade de investimentos urgentes em infraestrutura e de um planejamento que garanta o acesso universal aos serviços básicos, especialmente para aqueles que já enfrentam inúmeras barreiras sociais e econômicas.
A Pastoral da Mobilidade Humana manifesta sua preocupação com o atual cenário e seguirá acompanhando as famílias migrantes e refugiadas do município, buscando, dentro de suas possibilidades, minimizar os impactos desta crise. Ao mesmo tempo, reforça o apelo para que o poder público e as empresas responsáveis adotem medidas rápidas, eficazes e transparentes, garantindo que nenhuma pessoa seja privada de um direito tão essencial quanto o acesso à água.
A solidariedade continua sendo um caminho indispensável, mas ela não pode substituir a responsabilidade do Estado e das concessionárias na garantia de direitos básicos para toda a população.
