Maktub: A Travessia de uma Família Marroquina até o Coração Caiçara
- Juliana Ramalho
- há 2 dias
- 3 min de leitura
Quando o amor encontra uma casa
No início de junho, recebemos um contato da Diocese de Santos. Do outro lado da mensagem, havia uma família marroquina que precisava de ajuda para recomeçar. Eles haviam deixado o Japão para trás, atravessado oceanos, cruzado fronteiras e vencido incontáveis desafios. Na bagagem, trouxeram poucas malas, muitos sonhos e um pequeno milagre: um bebê ainda no ventre, que em breve nascerá em terras caiçaras.
A chegada não foi simples. Poucos lugares estão preparados para acolher uma mulher grávida em situação de migração. Os abrigos disponíveis não conseguiam recebê-los, e a única alternativa era encontrar uma casa para alugar. Parecia um caminho possível, mas logo surgiram pedras inesperadas.
Entre elas, a mais dolorosa: a xenofobia. Em diversas ocasiões, a família ouviu negativas apenas por ser de origem árabe. Não lhes perguntavam sobre sua história, seus sonhos ou sua honestidade. Bastava a nacionalidade para que as portas permanecessem fechadas.
Enquanto a casa não chegava, uma das voluntárias da Pastoral da Mobilidade Humana abriu a porta do próprio lar. Aqueles dias foram vividos como um verdadeiro tempo de Advento: a espera por uma criança, a esperança renovada a cada amanhecer e a certeza de que Deus continua visitando seu povo através de pessoas comuns. Em muitos momentos, lembrávamo-nos da visita de Maria à sua prima Isabel. Onde havia acolhida, havia também a presença de Deus.
Depois de muitas buscas, lágrimas, telefonemas e orações, a família finalmente conseguiu alugar uma casa, próxima ao bairro onde vivem algumas de nossas voluntárias. Hoje, a futura mamãe é acompanhada pela equipe do SUS do município do Guarujá, e o nascimento do bebê se aproxima cercado de cuidado e esperança. O filho mais velho, de apenas dois anos e meio, também já conquistou uma importante vitória: uma vaga na creche pública, dando início a uma nova etapa de sua vida no Brasil.
Diante dessa história, lembramos as palavras de Clarice Lispector:
"Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor."
Talvez seja exatamente isso que essa família tenha nos ensinado. O amor não é uma palavra bonita para ser admirada. É uma casa que se abre. É uma refeição compartilhada. É um documento encaminhado. É uma consulta marcada. É um colo oferecido quando o mundo parece fechar todas as portas.
A Palavra de Deus nos recorda:
"Eu era estrangeiro, e vocês me acolheram." (Mateus 25,35)
E São João Batista Scalabrini, pai dos migrantes, nos inspira ao afirmar:
"A pátria do migrante é a terra que lhe dá o pão."
É esse Evangelho que buscamos viver diariamente na Pastoral da Mobilidade Humana da Paróquia Nossa Senhora das Graças. Cada família acolhida nos transforma tanto quanto esperamos transformar sua caminhada.
Agora, mais uma vez, contamos com a solidariedade de nossa comunidade. As catequistas da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em união com a Pastoral da Mobilidade Humana, estão organizando um chá de bebê para arrecadar os itens necessários para a chegada dessa criança, que já faz parte da nossa comunidade.
Estamos recebendo doações de fraldas, leite infantil e outros itens para o bebê. Quem desejar colaborar também pode contribuir por meio de PIX ou entrar em contato para realizar uma doação física.
Informações e doações:📱 (13) 99790-3020
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Porque, no fim, nenhuma fronteira é maior do que um coração disposto a amar.





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