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História de uma Flor - história e crônica.

Um jovem casal senegalês, que vive em nossa cidade, enfrentou uma dor que ninguém deveria conhecer: a perda de um filho. Diante de um sofrimento tão profundo, as palavras parecem pequenas, mas ainda assim escolhemos escrever um breve conto como gesto de carinho, memória e homenagem.

Que este texto seja um abraço silencioso, uma forma de dizer que eles não estão sozinhos. Desejamos força, acolhimento e paz para atravessar este momento tão difícil, com a certeza de que o amor permanece, mesmo quando a ausência dói. Confira a crônica premiada escrita sobre o caso por Juliana Ramalho

 

Tópp Talvez seja o destino ou a chegada, na verdade pode ser uma partida entre milhões de despedidas. Alguns chegam com sonhos outros com nada em sua volta. Os reconheço pelo olhar, que tem a esperança como rota. Uma delas me puxou pela mão e disse bem baixinho o que sentia em seu coração, seu filho nasceu, aliás era uma menina, 30 minutos, segundos, ou menos, não se sabia dizer o tempo. Ela partiu, e não conseguiu sentir o ar quente do verão, as folhas caindo no outono, a gritaria no centro, com as músicas melódicas e antigas. As misturas dos ritmos que só nós conhecemos. Ela, perdeu os cavalos andando na avenida, até as galinhas correndo, esse interior misturado com cidade grande, que tem nome indígena, rodeado por mar e é apelidado de Pérola do Atlântico. Ela não conheceu a praia com areia fofinha e água quentinha. Em seu sangue corre algo que não se acaba, se chama amor. Não a deram um nome, mas podemos chamá-la de Flor. Topp em seu idioma de origem. Sua mãe tem esperança na voz, e alcança outro Continente, todos ecoam juntos em português e em francês, em wolof também, um idioma que se torna universal e todos compreendem, aqui constroem raízes. Flor, poderia ter sido uma bailarina, ou trancista, ter visitado o Cristo ou ido até a Rocinha, ir em Salvador, ou nos Pampas, ter escutado Milton Nascimento ou se embalado pelo samba, mas é uma estrela que brilha em cada rosto que se ilumina e cruza a fronteira, no Brasil imenso, como o coração da mãe de Tópp, ela reencontra um novo caminho para ressignificar tamanha dor, com o aroma de Jasmim, percorrendo todo trajeto até o destino da imigração de sua família. Ela estará os guiando, iluminando, sendo o ponto de luz e perseverança na travessia que não terá fim.

 
 
 

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